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Flores da Madeira/Flowers from Madeira

Mais uma prova da riqueza da Madeira são as suas coloridas e perfumadas flores, das quais a mais emblemática será talvez a estrelícia que estudei nos tempos aureos em que era eu quem levava a mochila para a escola, esta elegante flor, em latim "Strelitzia reginae" , ou seja, estrelícia da rainha, deve o seu nome à rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, esposa do rei Jorge III de Inglaterra, morta em 1818.  Visitar a ilha na Primavera é de facto um privilégio.
 Ver brotar flores como esta e como as proteias, as trombeteiras, os Hibiscus, as malvas,  os Aloë arborescens, entre outras que enchem os cantis, as varandas, os vasos que tão tipicamente embelezam as pequenas vilas e os mercados com  de cores e aromas que explicam o porquê da próxima festa que se avizinha, a Festa da Flor, ser uma das grandes atracções do ano na Madeira, levando à ilha  milhares de visitantes. Esta festa tem a duração de quatro dias, durante os quais se realizam várias exposições de flores tropicais, tapetes de flores e o sobejamente conhecido Cortejo da Festa da Flor. Como não pude assistir a esta festividade (infelizmente as férias não duram para sempreL…) fico-me pelas flores que fui encontrando aqui e ali pela ilha, aqui estão algumas das fotos que fui tirando, a maioria no Mercado dos Lavradores onde a variedade de oferta é bastante grande.

 One more proof of Madeira's wealth is its colorful and fragrant flowers, among them is perhaps the most emblematic: the Estrelícia, which I have studied  when it was I who took the backpack to school, this elegant flower, in Latin "Strelitzia reginae", or the estrelícia queen, owes its name to Queen Charlotte of Mecklenburg-Strelitz, wife of King George III of England, who died in 1818.

Visiting the island in spring is indeed a privilege. To see spring flowers like this and like proteas, trombeteiras, Hibiscus, hollyhocks, Aloe arborescens, among other ones that fill the canteens, the balconies, the vessels that typically grace the small villages and markets with colors and scents, explains why the Flower Festival is one of the great attractions of the year in Madeira, bringing thousands of visitors to the island. This festival lasts for four days, during which it is held several exhibitions of tropical flowers, carpets of flowers and the well-known Flower Festival Parade. As I could not attend this festival (sadly vacations do not last forever... ) I am joyful for the flowers that I found here and there throughout the island, here are some photos that I took, mostly in the Farmers' Market where the variety supply is quite large.



















Adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye Madeira

Vista para a Ponta de S. Lourenço, a partir do aeroporto do Funchal, última imagem da ilha/
View to the Tip of S. Lourenço from Funchal's airport, my final image to the island.
Todas as viagens tem uma coisa má: acabam… e eu quero sempre mais. Ver mais, conhecer mais, descobrir mais, aprender mais, viver mais, muito, muito mais.
Da Madeira trago as cores, os sabores, os cheiros, as memórias, os quilos a mais dos pecados cometidos entre iguarias típicas, a força do vento na ponta de S. Lourenço, o cansaço saboroso das caminhadas, o fresco da água das cachoeiras, o chilrear dos bis-bis na subida ao Pico Ruivo, o amarelo dos táxis, a confusão dos visitantes no mercado dos lavradores, a imensidão do oceano  e a vontade de cá voltar, uma e outra e outra vez também. Adeus Madeira e até breve!

All trips have something bad: they have an ending ... and I always want more. To see more, to know more, to discover more, to learn more, to live more, much, much more.
From Madeira I bring the colors, tastes, smells, memories, the pounds given by the sins committed among typical delicacies, the wind strength on the tip of S. Lourenço, the fatigue of the tasty trekking, the fresh water of the waterfalls, the chirping of the bis-bis when climbing Pico Ruivo, the yellow of the taxis, the confusion in the farmers market, the immensity of the ocean and the desire to return here over and over again. Farewell Madeira and see you soon!

Day one tour

Estar de férias tem destas coisas: calças de ganga, chinelos de dedo, relax total. Até escrever tem sido tarefa adiada, sempre suplantada por mais um sítio para ver, mais uma foto para tirar, mais um sabor para provar e menos tempo para teclar. Tudo em tempo de férias ganha um ritmo novo, e deixamo-nos ficar ao sabor do vento (que aqui na costa este parece querer dançar connosco a mais agitadas das lambadas).  A cada quilometro que o carro marca vou registando no meu diário de bordo e na minha mente os lugares e memórias dos espaços por onde vou passando.

Os produtos do dia: vinho da madeira, cerveja Coral. Bolo do caco, broas de mel e banana

A viagem de circum condução pela ilha da Madeira começou aqui na zona do Lido (Funchal), onde me encontro instalada, e seguiu em direção à costa este da ilha, depois de uma breve incursão pelas ruas velhas do Funchal lá segui pela ruazinha mais estreita que me permitisse circundar a ilha pela parte mais costeira, assim, o day one tour foi o seguinte: Garajau, Praia dos Reis Magos, Machico, Miradouro do Pico do Facho, Ponta de S. Lourenço, Prainha, Porto da Cruz, Faial, Santana e S. Jorge.

Ponta do Castelo

Depois de um dia em cheio, o jantar não podia ter sido melhor, um peixinho fresquinho: os famosos filetes de espada com mango, na Doca do Cavacas, assim como a companhia, muito bom sim senhor e recomenda-se.

God morning Madeira

Depois de uma noite mal dormida,não sei se por estranhar o colchão se por pura ansiedade, mergulho agora no meu diário de bordo. Notas apontadas, coordenadas tiradas, parto hoje para a descoberta da ilha, qual João Gonçalves Zarco ou Tristão Vaz Teixeira, frente ao desconhecido. Tal como eles, na imensidão do oceano... Encontro-me eu... na imensidão da ilha... Que rumo tomar? Norte?Sul? Preparo o equipamento, quase tão incipiente quanto o astrolábio, sim que o único mapa a funcionar na Madeira é o NDrive, e o meu parece ser do tempo do arroz de quinze, só conhece a marina do Funchal, posso-me perder sem medo, pois venho sempre parar à Marina pra ver os barquinhos...

Tesourinhos escondidos...


A quatro dias do início da aventura, perco-me hoje num hobbie há pouco reencontrado, o geocaching. Quando há uns anos por meio de um amigo conheci este jogo, encaixou perfeitamente no meu ideal de aventura. Passear pelo monte, de carro ou a pé e descobrir tesourinhos naturais, que por norma se encontram em locais de rara beleza e muitas vezes desconhecidos para a maioria, pareceu-me na altura perfeito. A verdade é que com o passar do tempo a vontade de fazer caches nem sempre foi a mesma, mas sempre que viajo para algum lugar, faço questão de visitar o site http://www.geocaching.com/ e procurar locais que não figurem nos guias de viagem, embora merecessem grande destaque (cá pra nós que ninguém nos ouve, é bem melhor que não figurem mesmo pois assim ficam protegidos das excursões e romarias que muitas vezes apenas contribuem para a degradação dos mesmos. Aliás um dos mandamentos dos geoacachers é não destruir e sempre “Cache in, trash out”).
Problema: estou sem GPS, e depois de muitas tentativas de instalação do mapa da Madeira, parece que não vou conseguir nada até ao dia da viagem. Solução: procurar os lugares através do mapa e tentar encontrar as caches pelos dos spoilers. Não será fácil, mas a vida sem desafios não tem graça nenhuma!

Por entre corruptelas de cryptas (vulgo grutas)


(Imagem retirada de www.grutasecentrodovulcanismo.com)
Outro dos meus objetivos na Madeira é visitar as Grutas de São Vicente, estas cavidades naturais, situadas na freguesia e concelho de São Vicente, no Paul da Serra, formaram-se há cerca de 890 mil anos atrás, a partir de uma erupção vulcânica que foi talhando o seu caminho em direção ao mar. A parte exterior solidificou rapidamente, por exposição às baixas temperaturas, enquanto no interior, onde a lava continuou a correr livremente, criou uma série de túneis de lava, que a natureza manteve intocável até hoje.

Água dá, água leva...


(foto retirada do site: www.madeirawalking.com)
Quem me conhece sabe que sou absolutamente fã de dois elementos da natureza: a água (em especial quedas de água) e grutas (esses espaços recondidos que a natureza criou, onde o homem não teve qualquer voto na matéria, e talvez por isso mesmo se mantiveram únicos em beleza).
Ir à Madeira cumpre um dos meus desejos de há muito: fazer uma levada. E o que é uma levada? (you may ask!!!). Ora, uma levada é um curso de água construído aquando da colonização da ilha, à volta das montanhas, para levar água aos terrenos agrícolas onde esta escasseava. Hoje, esses caminhos que outrora significavam labuta, são sinónimo de lazer e aventura pelos trilhos da natureza tão bela e rica desta ilha. Neles se escondem verdadeiras jóias: quedas de água, lagoas, paisagens inacessíveis a quem previligia apenas o carro para descobrir a ilha. A Madeira possui mais de 200 levadas, que como o próprio nome parece indiciar, nos levam para um mundo natural fabuloso.

Contando o primeiro conto, mas não o primeiro quilómetro

Diz a lenda que, entre o final do século XIV e o início do século XV, Roberto Machim, um inglês de classe-média, apaixonou-se por Ana D’Arfet, uma linda rapariga de classe-alta da aristocracia. A familia dela tinha o seu orgulho e eram contra que este romance continuasse. Assim sendo forçaram-na a casar com um nobre de classe-alta, de quem esta não gostava, e mandaram ao Rei uma fiança para manter Machim preso até o casamento se realizar. Ana casou com o nobre e foi levada para um castelo em Bristol. Machim com a ajuda de alguns amigos, foi até Bristol, andando um dos seus companheiros entrar no castelo para dizer a Ana que Roberto continuava a amá-la, assim como tinha um plano para fugirem.
Assim deixaram Bristol em direcção a França. Mas uma forte tempestade arrastou-os para o oceano, afastando-os de França. No 14º dia eles chegaram à Ilha da Madeira, onde desembarcaram numa linda baía (Machico). Ana estava doente, morrendo nos braços do seu amado e enterrada por baixo de uma grande e linda árvore, onde foi colocada uma cruz de madeira de cedro.
Machim morreu alguns dias depois, sendo enterrado na mesma sepultura da sua amada. Uma inscriçao foi deixada perto, ditada por Machim, contando a triste história e pedindo que se algum futuro colonizador ali chegasse, que construisse uma igreja naquele local, hoje essa edificação é conhecida como a Capela do Senhor dos Milagres”.
E assim nasce a ilha da Madeira, considerada por muitos como a pérola do atlântico, aqui onde a europa se funde com os trópicos, é destino de muitas viagens e aventuras. A minha começa agora. Depois de muito sonhar com ela, a tão ansiada viagem começa a revelar contornos. Já se pesquisa do google, viaja por entre relatos de outros bloggers, contacta-se associações de compadres caminheiros e já se delinea o diário de bordo: